22/05/15

Merdiano de Sangue

Meridiano de SangueMeridiano de Sangue by Cormac McCarthy
My rating: 5 of 5 stars

Tanta luz, tanta sombra.

A vastidão do velho e selvagem Oeste é percorrida no decorrer da assombrosa viagem de um rapaz por terras de todos e de ninguém onde se destaca um ser esculpido da rocha, do pó, do sangue, da alma dos que a perderam. Ele surge calvo, sorridente, diabólico, nebuloso até ao fim do relato quando o rapaz já é homem e avista o mar pela primeira vez. Ele eleva-se sobre os outros. Ele é princípio e ele é fim. Ele é o Juiz Holden.

E o mar é vasto como as planícies áridas calcorreadas onde o calor, o frio, o pó, a neve se confundem com o sangue que, qual poderosa argamassa, solidifica a terra, conquista-a para os homens. O mar é revelação?

O Juiz Holden não é um homem, é uma espécie de entidade tutelar que inunda e fertiliza este Meridiano de Sangue como o sangue que cobre a terra e nela se infiltra para gerar um novo mundo. É um sol dominador, um demiurgo. Como se cria uma personagem tão etérea e simultaneamente tão afirmativa e omnipotente?

A jornada de descoberta do rapaz, o rito iniciático, o círculo não se encerra. Fica a sensação de que a viagem é eterna e que, já homem, busca uma verdade, algum tipo de paz, de sentido divino em cada buraco que cava no deserto, alegoria, porventura, do seu coração acossado. E o coração negro e imortal do Juiz? Vagueará ainda e sempre nos lugares mais escusos da terra, arrebatará ainda e sempre as almas simples e delicadas, permanecerá ainda e sempre, à espreita, no canto mais recôndito do magma primevo. Pronto a ressurgir.


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