13/02/15

O Assobiador / Há Prendizajens com o Chão

<a href="https://www.goodreads.com/book/show/6383829-o-assobiador-h-prendisajens-com-o-x-o" style="float: left; padding-right: 20px"><img alt="O Assobiador / Há Prendisajens com o Xão" border="0" src="https://d.gr-assets.com/books/1258728360m/6383829.jpg" /></a><a href="https://www.goodreads.com/book/show/6383829-o-assobiador-h-prendisajens-com-o-x-o">O Assobiador / Há Prendisajens com o Xão</a> by <a href="https://www.goodreads.com/author/show/884320.Ondjaki">Ondjaki</a><br/>
My rating: <a href="https://www.goodreads.com/review/show/1049017329">4 of 5 stars</a><br /><br />
Li a edição “Frente e Verso” da visão em que estavam contidas duas obras de Ondjaki: uma de prosa, “O Assobiador”, e uma de poesia, “Há Prendizajens com o Xão”.<br><br>De “O Assobiador” retenho sobretudo a soberba “reinvenção” da linguagem e momentos tão belos quanto este:<br><br>“As águas do lago haviam-se transformado num perigoso mar de lâminas encarnadas, naquela que era uma experiência enternecedora para quem a tivesse vivido: o sol, ao embater nas catorze mil ondinhas refeitas pelo vento, desmultiplicava o seu brilho, dando a cada escarpa aquática uma aura própria e pontiaguda, ofuscante e brilhantosa, lisa e laminar.<br>Era evidente, para olhos e corações, que o mundo assim tão colorido destilava imagens brutalmente simples de ternura” (P.117)<br><br>Quanto a “Há Prendizajens com o Xão”, socorro-me da análise cerebral de Manoel de Barros:<br><br>“Há em você a consciência plena de que a poesia se faz abandonando as sintaxes acostumadas e criando outras. São as palavras que guardam a poesia, não os episódios. Palavra poética não serve para expressar ideias – serve para cantar, celebrar.”<br>E acrescento uma observação mais arrebatada para exprimir que os poemas são maravilhosos! poemas como este “Que sabes tu do eco do silêncio?”:<br><br>“um só olhar<br>pode ser uma voz não dita.<br>para acumular dores<br>o mais das vezes<br>bastou um desamor.<br>sei: a solidão<br>ecoa de modo muito silencioso.<br>sei: muita silenciosidade<br>pode reciprocar<br>verdadeiros corpos num amor.<br>um só silêncio<br>pode ser nossa voz não dita<br>ainda nunca dita.<br>para ecoar um silêncio<br>bastou gritarmo-nos para cá dentro<br>num gritar aprofundo.<br>já silenciar um eco<br>é missão para uma toda vida:<br>exige repensação da própria existência.”<br><br>Uma nota especial para a espécie de glossário denominado “Bichos convidados (de a a z)”, com a caracterização poetizada e tremendamente divertida dos bichos intervenientes nos poemas como, neste caso, o sapo:<br><br>“sapo: vive em ânsias de ser beijado por princesas. acredita em vidas passadas, onde julga ter sido príncipe. mestre de cantoria e sapiência. pratica a perigosa arte de encher balões em suas próprias bochechas. gosta de quebrar silêncios da noite.”<br>
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