17/11/14

O Grande Gatsby

O Grande GatsbyO Grande Gatsby by F. Scott Fitzgerald
My rating: 3 of 5 stars

“O Grande Gatsby” é a personagem mais dolorosamente bem conseguida da obra e pela qual é difícil não sentir empatia porque os desejos, as ambições de Gatsby eram os mais simples, os mais genuínos, os mais inocentes. E por isso ele é Grande, não pela opulência em que vivia.

Mas a verdade é que eu queria mais Jay Gatsby.

A aura de mistério que o rodeia no início do livro arrasta-se com ele até ao seu destino último. Tudo permanece toldado por uma névoa suficientemente densa para não conseguirmos encarar Gatsby como “real”, confundindo-se ele próprio com essa névoa que se movimenta, invisível, para o arrebatar.

Jay Gatsby é refém do passado, de uma crença na inevitabilidade da concretização do Amor e a sua lealdade para com Daisy é tão mais bela quanto impossível de ser correspondida por alguém com raízes unicamente no presente… Nas últimas 30 páginas Daisy desaparece de cena (e o livro ilumina-se de tragédia… Embora a obscura Daisy já viesse entoando o canto da sereia), abandona Gatsby ao seu sonho irrealizável mas ele nunca se cansa de olhar “… a luz verde que brilhava na ponta do molhe de Daisy.”, essa luz que o embala num sono esmeraldino, hipnótico, penelopiano…

Na minha opinião, muito mais do que o retrato da América dos anos 20, “O Grande Gatsby” é o retrato de um pobre homem rico, de um menino frágil que nunca deixou de acreditar no Amor, na absoluta lógica da espera.

“Ali sentado na areia a meditar nesse outro mundo antigo e desconhecido, imaginei o espanto do Gatsby, quando, pela primeira vez, identificou a luz verde que brilhava na ponta do molhe da Daisy. Tinha vindo de longe para chegar a este relvado azul, e o sonho dever ter-lhe parecido tão próximo que só dificilmente poderia escapar ao seu abraço. Não sabia que o sonho era já uma coisa do passado, atrás dele, perdido algures na vasta obscuridade para além do clarão da cidade, onde os vastos plainos da República se desenrolavam sem fim sob o céu estrelado.” (P.184)

Não me esquecerei da candura genuína de Gatsby mas “O Grande Gatsby” é um livro pontilhado por alguns desequilíbrios. Ali encontrei brilhantismo e medianismo. Um pouco à semelhança de Gatsby, F. Scott Fitzgerald parece ter sonhado para este livro algo que não conseguiu concretizar em pleno… Momentos houve em que me soou ao esboço de algo maior.

“O Gatsby acreditara na luz verde, no orgíaco futuro que, ano após ano, foge e recua diante de nós. Se hoje nos iludiu, pouco importa: amanhã correremos mais depressa, alongaremos mais os braços… Até que uma bela manhã…” (P.184)


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