11/09/14

Norwegian Wood

Norwegian WoodNorwegian Wood by Haruki Murakami
My rating: 4 of 5 stars

A vida é um sopro.

Ora gélido e invernoso,
Ora cálido e primaveril.

Os epitáfios dos adolescentes
Rezam uma idade eterna,
A banda sonora dos que ficam
Empurra-os para um denso bosque coberto de neve
Onde a dor é suportada na primavera da vida.

Toru Watanabe deixa-se consecutivamente atrair por triângulos amorosos onde não há intriga nem disputa, apenas a partilha de uma mesma voz. Mas quando se torna no protagonista da sua vida, a sua lucidez estremece e não consegue encontrar o seu lugar no seu mundo. O mundo exterior por sua vez é muitas vezes encarado como acessório mas Watanabe vai-se encontrando em coisas tão pequenas mas tão carregadas de significado como a partilha de uma refeição com um homem moribundo. Toru quer sobretudo reconhecer-se na feérica Naoko, a sombra que paira sobre o bosque cerrado do seu inverno, ou na extravagante Midori, o raio de sol que penetra a densidade do bosque com a sua força imparável e primaveril.
Toru vai crescendo no conhecimento da dor da incerteza e da dor do que é a realidade da vida.
Assistimos à metamorfose de Toru, à sua passagem ao estado adulto e responsabilidades inerentes (e que responsabilidades ele assume!) e à sua libertação (?).
Somos donos do nosso destino mas às vezes é assustador pensar como a densidade dos bosques que encontramos pelo caminho obscurece e condiciona o nosso rumo…



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