08/08/14

A Porta

A PortaA Porta by Magda Szabó
My rating: 4 of 5 stars

É difícil fechar um livro que nos abriu tantas portas, é difícil opinar sobre uma das mais singulares heroínas literárias que já tive oportunidade de conhecer, é difícil afirmar que testemunhei o descerramento do coração de Emerence e dos seus singelos segredos… Nada é fácil quando nos propomos comentar um livro excepcional onde tudo aquilo que nos é mais querido, é narrado de forma tão grandiosa e bela. Siderou-me a eloquência, a dignidade, o orgulho de uma mulher que mal sabia ler e escrever, abalou-me a superioridade desta mulher ante o saber livresco, atordoou-me a sua dedicação ao duro trabalho físico, extasiou-me o seu desprezo pela política e pela religião, comoveu-me a sua infinita generosidade que se estendia a pessoas e animais.
As 4 estrelas que aqui atribuo são um simples apontamento, necessário, mas sem vital importância porque o que fica, o que permanece desta leitura de “A Porta” é a obstinação de uma mulher idosa e semianalfabeta em ser ela própria, sem falsos pudores, em preservar a sua intimidade, os seus “hóspedes”, a sua vida noutra época, noutro local, em se salvar e salvar os outros da sua tragédia pessoal. A patroa, escritora, é guiada numa viagem ao centro do mundo de Emerence, uma viagem que mais ninguém empreendera porque sempre encontraram portas fechadas a cadeado… O coração de Emerence é a porta para um mundo onde cada um dita as regras da sua própria vida, onde a nossa identidade é moldada por nós próprios (pelas nossas alegrias e sofrimentos), onde a pureza é uma realidade e onde a Ternura, a Amizade, o Amor são os alicerces da alma e do corpo, esculpidos no horror de um dia de tempestade.


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