08/07/15

O Tumulto das Ondas

O Tumulto das OndasO Tumulto das Ondas by Yukio Mishima
My rating: 4 of 5 stars

Tumultuante simplicidade.

“À luz da vigia, Shinji estudou a fotografia de Hatsue. A rapariga estava apoiada a um pinheiro alto do cabo Daio e a brisa marinha erguia a fímbria dos seus vestidos, remoinhando sob o ligeiro quimono branco de Verão e acariciando-lhe a pele nua. A coragem do rapaz reforçava-se com a recordação de que também ele fizera aquilo que agora o vento fazia na imagem.” (P.144)



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01/07/15

Eu lembro-me, sim, bem me lembro

Eu lembro-me, sim, bem me lembroEu lembro-me, sim, bem me lembro by Marcello Mastroianni
My rating: 4 of 5 stars

Depois deste livro, Mastroianni é outro homem para mim.

“Eu lembro-me, sim, bem me lembro” é a transcrição do filme “Mi recordo, sì, io mi ricordo” realizado em 1996 por Anna Maria Tatò e rodado enquanto Marcello Mastroianni filmava “Viagem ao Princípio do Mundo” com Manoel de Oliveira.

As recordações esparsas de momentos marcantes da vida de Mastroianni são narradas pelo próprio com uma simplicidade avassaladora. E para além da visão diversa que me transmitiu da sua pessoa, ainda condimentou as suas memórias com referências várias aos monstros sagrados com que trabalhou, abrindo-nos a porta dos momentos íntimos partilhados com Vittorio de Sica, Luchino Visconti, Federico Fellini ou Sophia Loren.

Um livro delicioso sobre um homem que deplorava o facto de o associarem à imagem do “latin lover” até porque, como dizia Fellini, “tens cara de saloio, de provinciano”. Um homem que nunca se deixou deslumbrar por Hollywood porque já se encontrava no coração do “cinematógrafo”, a Europa, e melhor era impossível. Um homem para quem ser actor era “jouer”, jogar, divertir-se, viajar e ser criança outra vez.



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Os Fantasmas de Pessoa

Os Fantasmas de PessoaOs Fantasmas de Pessoa by Manuel Jorge Marmelo
My rating: 3 of 5 stars

Um livro um tanto desgarrado que vale pela presença de Pessoa e seus heterónimos já que, a história paralela do escritor/assassino não me cativou nem um pouco.


“- Que horas são, mestre? – perguntou Campos, voltando-se para Caeiro e soprando contrariado.
- Oito e vinte e oito… Está na hora. O céu é grande e a terra é larga.
- Raios partam a vida e quem lá ande – protestou Campos.” (P.114)


A simples menção a Fernando Pessoa vale as 3 estrelas.


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A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto

A Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o CantoA Voz Secreta das Mulheres Afegãs - O Suicídio e o Canto by Sayd Bahodine Majrouh
My rating: 4 of 5 stars

Já não me lembro onde comprei ou porque comprei este livro, mas ainda bem que o comprei.

Sayd Bahodine Majrouh, intelectual e poeta afegão, reúne neste pequeno livro um conjunto de landays ou cantos de natureza oral da autoria de mulheres pashtun, um grupo étnico afegão. Majrouh percorre, primeiro na companhia da irmã, aldeias pashtun onde esta poesia de transgressão lhe é finalmente revelada e por ele coligida; mais tarde, vagueia em campos de refugiados no Paquistão, dando continuidade ao trabalho interrompido graças à instabilidade política na região. E não se limita a revelar os landays, comenta-os, enquadrando o leitor naquele tão distante universo onde a mulher, aparentemente, não tem voz.
Sayd Bahodine Majrouh dá-nos a conhecer a identidade da mulher pashtun através do seu canto, da sua voz plena de vontade. Uma voz consciente do seu lugar no mundo. Do silêncio a que os maridos escolhidos pela família as votavam, emerge uma melodia breve mas intensa onde a mulher pashtun canta o verdadeiro amor e o verdadeiro amado, os encontros fortuitos, o desejo que a consome, a revolta contra o destino cruel, o sonho da revelação e da fuga, a ignomínia do cárcere em que vive.

Alguns exemplos:

“Em segredo ardo, em segredo choro
Sou a mulher pashtun que não pode revelar o seu amor”

Ou

“Vem depressa, amor, quero dar-te a minha boca!
Esta noite em sonhos vi-te morto e fiquei louca”

Ou ainda

“Tinha pulseiras, mas não as pus
Agora vou ter com o meu amante sem enfeites, de braços nus”

Sayd Bahodine Majrouh, voz incómoda que deu a conhecer ao mundo estas incómodas manifestações de individualidade feminina pashtun, foi assassinado no exílio em Peshawar no Paquistão em 1988.


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Pastoral Americana

Pastoral americanaPastoral americana by Philip Roth
My rating: 5 of 5 stars

“Penetrar no interior das pessoas era uma arte ou capacidade que ele não possuía. Não conhecia a combinação daquela fechadura. Para ele, quem desse sinais de bondade, era bom. Quem desse sinais de lealdade, era leal. Quem desse sinais de inteligência, era inteligente. E assim, ele não conseguira penetrar no íntimo da filha, da mulher, da sua única amante; provavelmente nem sequer conseguira começar a penetrar no seu próprio íntimo. O que era ele, despido de todos os sinais que emitia? As pessoas erguiam-se por todo o lado e gritavam: «Este sou eu! Este sou eu!» Sempre que se olhava para elas, elas erguiam-se e diziam-nos quem eram e a verdade é que sabiam tanto de si próprias como ele sabia dele mesmo. Elas também acreditavam nos seus sinais. O que deviam fazer era erguerem-se e gritarem: «Este não sou eu! Este não sou eu!» Se tivessem alguma vergonha era o que fariam. «Este não sou eu!» Só assim se consegue aguentar a merda deste mundo.” (P.397/398)

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O Retorno

O RetornoO Retorno by Dulce Maria Cardoso
My rating: 4 of 5 stars

“O Retorno” é um livro que gira em torno da história de uma família (o antes e o depois) confundindo-se com a História de um país que “não era só Portugal”. Impele à reflexão, à demarcação de fronteiras e abismos, ao esquadrinhar de motivações.

Dulce Maria Cardoso escreve de forma sublime.


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O Oceano no Fim do Caminho

O Oceano no Fim do CaminhoO Oceano no Fim do Caminho by Neil Gaiman
My rating: 2 of 5 stars

Nesta minha primeira abordagem à obra de Neil Gaiman, ficou a amarga impressão de tudo ser demasiado “simplificado”. Não quero com isto dizer que “complexificar” seja necessariamente salutar mas faltaram-lhe “camadas”, ingredientes, lampejos que tornassem a história, os cenários e as personagens INTENSOS. Não, não senti intensidade.

No que à escrita diz respeito, a minha opinião é de que não compromete, mas também não deslumbra, atingindo um nível meramente satisfatório.

Curiosamente, este “O Oceano no Fim do Caminho” lembrou-me em demasia um outro livro lido há pouco tempo, “Sangue Ruim” de Rhiannon Lassiter, tão em demasia que no fim, fiquei com uma estranha sensação de desconforto face a este trabalho de Neil Gaiman. E tenho a dizer que “Sangue Ruim” supera este estagnado oceano.


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As Origens do Mal

As Origens do MalAs Origens do Mal by Georges Minois
My rating: 4 of 5 stars



Gustave Doré (Ilustração de "Paraíso Perdido" de John Milton)



“O Paraíso Perdido é a mais pungente reflexão do século XVII sobre o pecado original e, para lá dela, sobre a condição humana. Não é atribuído o bom papel a Deus, perante um Lúcifer livre e magnífico, e um primeiro casal humano frágil e patético, unido por um amor indefectível. Deus exige uma submissão absoluta das suas criaturas; declara-as livres de fazerem o que bem entenderem, mas elas sofrerão eternos tormentos se porventura fizerem o que lhes proibiu! E, apesar da ameaça, tanto os anjos como os homens se afastaram do Criador. Essa escolha não será portadora da mais grave acusação contra a Criação? Adão e Eva preferiram o amor humano a uma vida paradisíaca de um tédio mortal. No fundo, Milton não parece estar longe de lhes dar razão.” (P.230)

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Sangue Sábio

Sangue SábioSangue Sábio by Flannery O'Connor
My rating: 4 of 5 stars



Trágico. Cómico. Negro. Flannery nunca desilude.

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22/05/15

Merdiano de Sangue

Meridiano de SangueMeridiano de Sangue by Cormac McCarthy
My rating: 5 of 5 stars

Tanta luz, tanta sombra.

A vastidão do velho e selvagem Oeste é percorrida no decorrer da assombrosa viagem de um rapaz por terras de todos e de ninguém onde se destaca um ser esculpido da rocha, do pó, do sangue, da alma dos que a perderam. Ele surge calvo, sorridente, diabólico, nebuloso até ao fim do relato quando o rapaz já é homem e avista o mar pela primeira vez. Ele eleva-se sobre os outros. Ele é princípio e ele é fim. Ele é o Juiz Holden.

E o mar é vasto como as planícies áridas calcorreadas onde o calor, o frio, o pó, a neve se confundem com o sangue que, qual poderosa argamassa, solidifica a terra, conquista-a para os homens. O mar é revelação?

O Juiz Holden não é um homem, é uma espécie de entidade tutelar que inunda e fertiliza este Meridiano de Sangue como o sangue que cobre a terra e nela se infiltra para gerar um novo mundo. É um sol dominador, um demiurgo. Como se cria uma personagem tão etérea e simultaneamente tão afirmativa e omnipotente?

A jornada de descoberta do rapaz, o rito iniciático, o círculo não se encerra. Fica a sensação de que a viagem é eterna e que, já homem, busca uma verdade, algum tipo de paz, de sentido divino em cada buraco que cava no deserto, alegoria, porventura, do seu coração acossado. E o coração negro e imortal do Juiz? Vagueará ainda e sempre nos lugares mais escusos da terra, arrebatará ainda e sempre as almas simples e delicadas, permanecerá ainda e sempre, à espreita, no canto mais recôndito do magma primevo. Pronto a ressurgir.


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13/02/15

Com o Diabo no Corpo

<a href="https://www.goodreads.com/book/show/11429098-com-o-diabo-no-corpo" style="float: left; padding-right: 20px"><img alt="Com o Diabo no Corpo" border="0" src="https://d.gr-assets.com/books/1306077917m/11429098.jpg" /></a><a href="https://www.goodreads.com/book/show/11429098-com-o-diabo-no-corpo">Com o Diabo no Corpo</a> by <a href="https://www.goodreads.com/author/show/423070.Raymond_Radiguet">Raymond Radiguet</a><br/>
My rating: <a href="https://www.goodreads.com/review/show/976229062">4 of 5 stars</a><br /><br />
Talvez sugestionada pelo facto de que Raymond Radiguet começou a escrever “Com o Diabo no Corpo” (1923) com a tenra idade de 16 anos, não consegui deixar de encarar a leitura do livro com alguma desconfiança, desconfiança esta que se foi acumulando à medida que avançava na leitura, até desembocar na certeza de que este é um livro escrito por um jovem maduro para a idade (porque muito bem escrito), mas ainda assim imaturo porque… só tinha 16 anos! <br><br>Apesar de tudo, esta fragilidade da obra, a ausência de vivência que enriqueceria o quadro passional (e não só), também foi por mim considerado um ponto forte porque transmite ao leitor a vivência do Amor de uma forma muito espontânea, natural e verdadeira, contada na perspectiva do jovem narrador que é também um dos protagonistas da história tecida.<br><br>Raymond Radiguet morreu aos 20 anos e tenho a certeza de que, a prosseguir a sua carreira literária, produziria obras mais coesas, limaria com toda a certeza as arestas que em “Com o Diabo no Corpo” ficaram por limar porque não se lhe podia exigir mais… <br><br>Ainda assim, pela coragem na abordagem do tema (que não é mero adultério, é adultério que envolve a mulher de um soldado francês colocado na frente de combate na I Guerra Mundial), pela envolvência da escrita e pela capacidade de desconcertar o leitor, vale a pena a leitura deste livro que tem tanto de terno como de exasperante. <br><br><br>
<br/><br/>
<a href="https://www.goodreads.com/review/list/2007205-carla">View all my reviews</a>

O Assobiador / Há Prendizajens com o Chão

<a href="https://www.goodreads.com/book/show/6383829-o-assobiador-h-prendisajens-com-o-x-o" style="float: left; padding-right: 20px"><img alt="O Assobiador / Há Prendisajens com o Xão" border="0" src="https://d.gr-assets.com/books/1258728360m/6383829.jpg" /></a><a href="https://www.goodreads.com/book/show/6383829-o-assobiador-h-prendisajens-com-o-x-o">O Assobiador / Há Prendisajens com o Xão</a> by <a href="https://www.goodreads.com/author/show/884320.Ondjaki">Ondjaki</a><br/>
My rating: <a href="https://www.goodreads.com/review/show/1049017329">4 of 5 stars</a><br /><br />
Li a edição “Frente e Verso” da visão em que estavam contidas duas obras de Ondjaki: uma de prosa, “O Assobiador”, e uma de poesia, “Há Prendizajens com o Xão”.<br><br>De “O Assobiador” retenho sobretudo a soberba “reinvenção” da linguagem e momentos tão belos quanto este:<br><br>“As águas do lago haviam-se transformado num perigoso mar de lâminas encarnadas, naquela que era uma experiência enternecedora para quem a tivesse vivido: o sol, ao embater nas catorze mil ondinhas refeitas pelo vento, desmultiplicava o seu brilho, dando a cada escarpa aquática uma aura própria e pontiaguda, ofuscante e brilhantosa, lisa e laminar.<br>Era evidente, para olhos e corações, que o mundo assim tão colorido destilava imagens brutalmente simples de ternura” (P.117)<br><br>Quanto a “Há Prendizajens com o Xão”, socorro-me da análise cerebral de Manoel de Barros:<br><br>“Há em você a consciência plena de que a poesia se faz abandonando as sintaxes acostumadas e criando outras. São as palavras que guardam a poesia, não os episódios. Palavra poética não serve para expressar ideias – serve para cantar, celebrar.”<br>E acrescento uma observação mais arrebatada para exprimir que os poemas são maravilhosos! poemas como este “Que sabes tu do eco do silêncio?”:<br><br>“um só olhar<br>pode ser uma voz não dita.<br>para acumular dores<br>o mais das vezes<br>bastou um desamor.<br>sei: a solidão<br>ecoa de modo muito silencioso.<br>sei: muita silenciosidade<br>pode reciprocar<br>verdadeiros corpos num amor.<br>um só silêncio<br>pode ser nossa voz não dita<br>ainda nunca dita.<br>para ecoar um silêncio<br>bastou gritarmo-nos para cá dentro<br>num gritar aprofundo.<br>já silenciar um eco<br>é missão para uma toda vida:<br>exige repensação da própria existência.”<br><br>Uma nota especial para a espécie de glossário denominado “Bichos convidados (de a a z)”, com a caracterização poetizada e tremendamente divertida dos bichos intervenientes nos poemas como, neste caso, o sapo:<br><br>“sapo: vive em ânsias de ser beijado por princesas. acredita em vidas passadas, onde julga ter sido príncipe. mestre de cantoria e sapiência. pratica a perigosa arte de encher balões em suas próprias bochechas. gosta de quebrar silêncios da noite.”<br>
<br/><br/>
<a href="https://www.goodreads.com/review/list/2007205-carla">View all my reviews</a>

09/01/15

O Turno

O TurnoO Turno by Luigi Pirandello
My rating: 4 of 5 stars

“O Turno” foi a minha primeira abordagem à obra de Luigi Pirandello e não podia ter começado melhor.

A forma como o autor faz convergir tragédia e comédia só pode ser apelidada de brilhante neste pequeno romance que é o retrato de uma época, da cidade de Agrigento e de pessoas em busca de uma identidade hesitante.


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O Último Cabalista de Lisboa

O Último Cabalista de LisboaO Último Cabalista de Lisboa by Richard Zimler
My rating: 3 of 5 stars

História muito interessante, bom enquadramento histórico e uma personagem principal convincente.

Ainda assim, não me revi completamente na escrita de Richard Zimler. Pareceu-me ser demasiado cerebralizada, demasiado pensada e eu esperava algo mais natural, mais fluido…

Mas é, com toda a certeza, um autor a reencontrar.


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Drácula

DraculaDracula by Bram Stoker
My rating: 4 of 5 stars

Para quem já teve oportunidade de ver algumas adaptações cinematográficas do “Drácula” de Bram Stoker ficará por certo algo surpreendido com o conteúdo do livro, não por revelar ausência de qualidade, mas porque apesar de toda a ação decorrer em torno da personagem Conde Drácula (das suas ações) sentimo-la mais distante, com motivações mais obscuras e mundanas, sem aquela paixão e fulgor com que me habituei a encará-lo (mesmo naquela primeira brilhante versão cinematográfica de 1922 realizada por Friedrich Wilhelm Murnau – “Nosferatu”).

O elo, a ligação para além da morte entre Mina e Drácula, força motriz da história na fantástica adaptação de Coppola perde-se e resume-se a uma união de forças entre amigos para salvar Mina depois da tragédia ocorrida com Lucy…

Apesar das diferenças que me surpreenderam, é um livro fantástico, escrito num formato interessante (romance epistolar) e com passagens de um espantoso lirismo, muitas das quais aqui reproduzi durante a minha leitura pelo que me parece mais que justo terminar esta “jornada” com uma última citação que reflete o “espírito” desta invulgar e apaixonante obra:

“The Castle of Dracula now stood out against the red sky, and every stone of its broken battlements was articulated against the light of the setting sun.”


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20/12/14

A Christmas Carol

A Christmas CarolA Christmas Carol by Charles Dickens
My rating: 4 of 5 stars

"A Christmas Carol" é um livro obrigatório para quem aprecia esta época do ano ou para quem (acima de tudo!) se revê nos valores preconizados por Dickens na reveladora viagem de Ebenezer Scrooge às profundezas da sua alma.

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A Mão ao Assinar este Papel

A Mão ao Assinar Este PapelA Mão ao Assinar Este Papel by Dylan Thomas
My rating: 5 of 5 stars

Um livro perfeito.


And death shall have no dominion.
Dead man naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again;
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
Under the windings of the sea
They lying long shall not die windily;
Twisting on racks when sinews give way,
Strapped to a wheel, yet they shall not break;
Faith in their hands shall snap in two,
And the unicorn evils run them through;
Split all ends up they shan't crack;
And death shall have no dominion.

And death shall have no dominion.
No more may gulls cry at their ears
Or waves break loud on the seashores;
Where blew a flower may a flower no more
Lift its head to the blows of the rain;
Though they be mad and dead as nails,
Heads of the characters hammer through daisies;
Break in the sun till the sun breaks down,
And death shall have no dominion.

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E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
Com o homem no vento e na lua do poente;
Quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
Hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
Mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
Mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
E a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
Não morrerão com a chegada do vento;
Ainda que, na roda da tortura, comecem
Os tendões a ceder, jamais se partirão;
Entre as suas mãos será destruída a fé
E, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
Embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
E a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
Nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
Onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
Erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
Ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
Como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
É no sol que irrompem até que o sol se extinga,
E a morte perderá o seu domínio.


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Byron e o Amor

Byron e o AmorByron e o Amor by Edna O'Brien
My rating: 4 of 5 stars

Óptimo pretexto para conhecer a personalidade complexa, voraz, brutal, excessiva, obscura e muitas vezes cruel de um dos maiores vultos da literatura mundial.

Edna O'Brien é mestre na separação entre realidade e lenda, baseando a obra na vasta troca de correspondência entre Byron e aqueles com quem se relacionou ou em relatos a seu respeito por parte dos que lhe eram mais próximos.

Mas por incrível que pareça, não poucas vezes a lenda coincide com a realidade, e confirmo que o carácter magnetizante de Lord Byron atravessou os séculos incólume!

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11/12/14

O Mesmo Mar

O Mesmo MarO Mesmo Mar by Amos Oz
My rating: 4 of 5 stars

Um romance que é um imenso poema de vozes que se entrelaçam, de vidas arrebatadas por outras vidas e pela morte, de recordações, de procura e de encontro… e de perda.
Amos Oz edifica “O Mesmo Mar” a partir de fragmentos de alma, de cintilações mudas, de ausências presentes, de epopeias interiores e o resultado é um fresco de vidas em busca de um sentido. Navegando o mesmo mar.

“Como uma corça ansiando pelas águas vivas, assim a minha alma.
E dois ciprestes movem-se de cá para lá em silenciosa devoção.
Como as águas cobrem o mar, as águas impetuosas passaram por cima:
Passaram-se foram-se, e já não são. Volta ao teu repouso alma minha.
Onde está o teu repouso?
Responde, alma minha: para onde voltarás,
Por que ansiarás, como uma corça? A cafeteira está a assobiar.
É tempo de um café. E se a luz que há em ti
Escurecer, que profunda será a escuridão. Está uma mosca
Presa entre o estore e a rede. A casa está vazia. Um tapete.
Um gato enroscado. Quando virei, quando surgirei? A luz é escuridão.
À beira da água estava uma corça e foi-se.”



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08/12/14

Da Natureza, Da Arte e Da Linguagem

Da Natureza, Da arte e Da LinguagemDa Natureza, Da arte e Da Linguagem by Rainer Maria Rilke
My rating: 4 of 5 stars

Compilação de reflexões organizada tematicamente... Só para não me esquecer que Rilke é um dos "grandes" do século XIX/XX.

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07/12/14

O Doutor Jivago

O Doutor JivagoO Doutor Jivago by Boris Pasternak
My rating: 3 of 5 stars

As primeiras cento e tal páginas do livro prenderam-me, situaram-me, encantaram-me.

Depois, e apesar da escrita com lampejos poéticos belíssimos, a história começa a “desfigurar-se”, mais concretamente a história das personagens que seguíamos com interesse, para dar lugar à História maior da Rússia. Os traços caracterizadores das personagens permanecem incompletos para dar lugar às pinceladas bruscas que preenchem a tela da identidade russa (política, social, artística, natural) que emerge em toda a sua força relegando para segundo plano Iuri Jivago, Lara, Tonia, Antipov/ Strelnikov…

Quase me sinto culpada por não ter apreciado o livro para além das três estrelas mas depois ocorrem-me as palavras de Nabokov (exageradas, é certo, mas que acentuam na sua crueldade um pouco da impressão que me ficou…) sobre “O Doutor Jivago”:

"Doctor Zhivago is a sorry thing, clumsy, trite and melodramatic, with stock situations, voluptuous lawyers, unbelieveable girls, romantic robbers and trite coincidences."


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26/11/14

A Pirâmide

A PirâmideA Pirâmide by Ismail Kadare
My rating: 2 of 5 stars

“A Pirâmide” de Ismaïl Kadaré relata as circunstâncias e motivações que impulsionaram a construção da maior e mais antiga das três pirâmides de Gizé, a Pirâmide de Quéops.

Bem sei que o intuito do autor não era propriamente explorar a questão histórica (que para mim teria sido tão mais interessante…), mas sim revelar a construção da pirâmide como o fruto de um regime totalitário que dominava em absoluto as vidas dos egípcios, condenando-os a uma inescapável forma de escravidão (gerações atrás de gerações atrás de gerações…).

O período de 20 anos que demorou a edificação da Pirâmide de Quéops representou um espaço de tempo avassalado por um histerismo colectivo sem precedentes com constantes denúncias sobre hipotéticas conjuras contra o Faraó e consequentes punições caraterizadas por uma crueldade sem limites…

Apesar do potencial inerente à ideia base, o autor não consegue harmonizar o texto de forma a tocar o leitor. A narrativa é estanque, muitas vezes desinteressante (o que para mim é inédito no que toca a um tema que me é caro…) e Kadaré parece escrever para si próprio. Não há uma verdadeira partilha com o leitor ou pelo menos eu não a senti.


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22/11/14

Crimes

CrimesCrimes by Ferdinand von Schirach
My rating: 4 of 5 stars

11 histórias.
11 crimes.
11 culpados?

Nem sempre o que parece é e Ferdinand Von Schirach demonstra-o com simplicidade e de forma magistral. Por detrás de um crime há sempre uma história. Nem sempre linear. E há pessoas. Vítimas e carrascos.

Uma das histórias que mais me comoveu foi “Verde”, o relato dos estranhos crimes perpetrados por um jovem esquizofrénico que quando olhava para as pessoas via números. Literalmente. E ele, Philipp, como se via a si próprio?

“No final da visita Philipp acompanhou-me até ao portão. Nesse momento já só era um rapazinho solitário, triste e acossado pelos seus medos. Foi então que disse: - Tu nunca me perguntaste qual é o meu número.
- É verdade. E então que número és tu?
- Verde – disse, e, virando-se, começou a andar de regresso à clínica.” (P. 150)

A leitura deste livro foi mais um passo dado na minha convicção de que é impossível captar na totalidade a essência da natureza humana. Afinal, o que somos nós?


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17/11/14

O Grande Gatsby

O Grande GatsbyO Grande Gatsby by F. Scott Fitzgerald
My rating: 3 of 5 stars

“O Grande Gatsby” é a personagem mais dolorosamente bem conseguida da obra e pela qual é difícil não sentir empatia porque os desejos, as ambições de Gatsby eram os mais simples, os mais genuínos, os mais inocentes. E por isso ele é Grande, não pela opulência em que vivia.

Mas a verdade é que eu queria mais Jay Gatsby.

A aura de mistério que o rodeia no início do livro arrasta-se com ele até ao seu destino último. Tudo permanece toldado por uma névoa suficientemente densa para não conseguirmos encarar Gatsby como “real”, confundindo-se ele próprio com essa névoa que se movimenta, invisível, para o arrebatar.

Jay Gatsby é refém do passado, de uma crença na inevitabilidade da concretização do Amor e a sua lealdade para com Daisy é tão mais bela quanto impossível de ser correspondida por alguém com raízes unicamente no presente… Nas últimas 30 páginas Daisy desaparece de cena (e o livro ilumina-se de tragédia… Embora a obscura Daisy já viesse entoando o canto da sereia), abandona Gatsby ao seu sonho irrealizável mas ele nunca se cansa de olhar “… a luz verde que brilhava na ponta do molhe de Daisy.”, essa luz que o embala num sono esmeraldino, hipnótico, penelopiano…

Na minha opinião, muito mais do que o retrato da América dos anos 20, “O Grande Gatsby” é o retrato de um pobre homem rico, de um menino frágil que nunca deixou de acreditar no Amor, na absoluta lógica da espera.

“Ali sentado na areia a meditar nesse outro mundo antigo e desconhecido, imaginei o espanto do Gatsby, quando, pela primeira vez, identificou a luz verde que brilhava na ponta do molhe da Daisy. Tinha vindo de longe para chegar a este relvado azul, e o sonho dever ter-lhe parecido tão próximo que só dificilmente poderia escapar ao seu abraço. Não sabia que o sonho era já uma coisa do passado, atrás dele, perdido algures na vasta obscuridade para além do clarão da cidade, onde os vastos plainos da República se desenrolavam sem fim sob o céu estrelado.” (P.184)

Não me esquecerei da candura genuína de Gatsby mas “O Grande Gatsby” é um livro pontilhado por alguns desequilíbrios. Ali encontrei brilhantismo e medianismo. Um pouco à semelhança de Gatsby, F. Scott Fitzgerald parece ter sonhado para este livro algo que não conseguiu concretizar em pleno… Momentos houve em que me soou ao esboço de algo maior.

“O Gatsby acreditara na luz verde, no orgíaco futuro que, ano após ano, foge e recua diante de nós. Se hoje nos iludiu, pouco importa: amanhã correremos mais depressa, alongaremos mais os braços… Até que uma bela manhã…” (P.184)


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15/11/14

Quem me dera ser onda

Quem me dera ser ondaQuem me dera ser onda by Manuel Rui
My rating: 4 of 5 stars

Quem me dera ser onda e correr mundo e mares e rebolar na areia transformada em espuma e esquecer que o mundo é dos adultos...

O tom sensível de “Quem me dera ser onda” é exclusivo das crianças para quem Carnaval da Vitória não é apenas um porco que o pai trouxe para casa para engordar, matar, comer.

Carnaval da Vitória é amor desinteressado.

Carnaval da Vitória é a inocência perdida de um país.


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Rebeldes

RebeldesRebeldes by Sándor Márai
My rating: 3 of 5 stars

Em comum: A deriva.

A ausência dos pais que partiram para a guerra corresponde à sua incapacidade de encontrar um lugar no mundo. Eles combatem numa Guerra Mundial e os jovens sonham um mundo impossível. Forjam recordações. Embriagam-se numa obstinação sem objectivo. Há que crescer. Há que partir para a guerra. Há que rebelar-se.

Os homens que não partiram ou os que regressaram da guerra são os mutilados mental e fisicamente. Os que se instalam nas suas vidas. Que pregam verdades absurdas em tom apocalíptico. Profetas teatrais de insuspeitadas dissonâncias.

O medo da descoberta. O nonsense de uma vida sem rumo clama pelo sacrifício.

E que importa a morte ou a vida quando se habita nas águas turvas e agitadas que desabam do céu?


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11/11/14

Vertigens. Impressões

Vertigens. ImpressõesVertigens. Impressões by W.G. Sebald
My rating: 4 of 5 stars

Elucubrações produzidas por um homem-sombra, memórias, viagens em que se cruza com os fantasmas do (seu) passado. A morte é um sonho, um caminho, um incêndio voraz, um penhasco devorador, a neve que não derrete.

Desconcertante.

“Nos meus tempos livres, disse Salvatore, refugio-me na prosa como numa ilha. Passo o dia todo no meio da azáfama da redacção, mas à noite instalo-me na minha ilha e quando começo a ler as primeiras frases, é como se fosse a remar pelo mar fora.” (P.101)


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05/11/14

Corações na Penumbra

Corações na PenumbraCorações na Penumbra by Edith Wharton
My rating: 3 of 5 stars

Um pequeno romance (praticamente uma novela) no qual ficam bem vincadas as diferenças basilares entre a velha aristocracia europeia (detentora de uma falsa moral e de um snobismo gritantes) e a burguesia norte-americana (autêntica, flexível e moralmente incorruptível).

Madame de Treymes é a representante dessa nobreza europeia fundada em falsos pressupostos religiosos e morais, e John Durham é o americano abastado que tenta libertar Madame de Malrive (a Fanny Frisbee da sua infância) de um casamento destruído.

A complexidade do carácter de Madame de Treymes, cunhada de Fanny, é bem explorada ao longo de “Corações na Penumbra”… Se num momento se revela como a mais enganadora das aliadas, no outro redime-se e arrepende-se (ou assim pensamos) com uma lágrima que rola pela sua face delgada… Uma pobre boa mulher que castigara o suficiente um pobre bom homem.

Interessante, sem dúvida, mas uma amostra escassa do que acredito ser o inegável talento de Edith Wharton.


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04/11/14

Jack, o Estripador - Retrato de um Assassino

Jack, o Estripador - Retrato de um Assassino (Grandes Narrativas, #230)Jack, o Estripador - Retrato de um Assassino by Patricia Cornwell
My rating: 2 of 5 stars

Patricia Cornwell apresenta na obra “Jack, o Estripador – Retrato de um Assassino”, o que eu considero ser apenas “mais uma” teoria acerca da identidade de Jack, o Estripador.
Não apreciei a estrutura narrativa do livro que pretende ser um “documento” em que se deslinda a identidade do homem que cometeu a série de assassínios brutais no East End de Londres (e possivelmente noutros locais) a partir de 1888… As ideias, os factos, as asserções por vezes não têm grande ligação entre si, sendo introduzidos um pouco ao acaso (ou pelo menos assim parece…).
Este deveria ser um livro com um ritmo bem mais cadenciado do que aquele com que me deparei e deveria apresentar novos dados absolutamente convincentes que provocassem no leitor a desconfortável sensação de que um mistério com mais de 100 anos tinha finalmente sido desvendado contudo, na minha opinião, o ritmo é irregular e a autora faz demasiadas suposições, utiliza demasiadas vezes a expressão “não sei” o que me parece uma clara inconsistência para quem afirma no fim da obra “… ele foi apanhado.”.
É certo que são revelados alguns interessantes dados “físicos” relativos, por exemplo, às marcas de água dos papéis de carta utilizados pelo estripador nas cartas enviadas à polícia e jornais que, por coincidência ou não, correspondem aos utilizados pelo pintor Walter Richard Sickert, o Jack, o Estripador de Patricia Cornwell. Mas depois há tantas suposições, tantas conjecturas, tantas hipóteses sem base suficientemente sólida que não consegui “agarrar” esta teoria.
Já tive acesso a várias teorias a respeito da identidade de Jack, o Estripador e esta revelou-se como apenas mais uma que, muito honestamente, não me convenceu.



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Herzog

HerzogHerzog by Saul Bellow
My rating: 4 of 5 stars

Um livro que me deu muita luta… Agradeço-lhe por isso caro Sr. Moses E. Herzog.

Esta é a auto-análise obsessiva de um homem à procura de um rumo, um rumo que fatalmente encontra nas mulheres, um equívoco ao qual regressa sempre como se fosse um retorno ao útero materno. A tragicomédia de Herzog.

Herzog busca tranquilidade num mundo corrompido, num mundo que o encara como insano e escreve compulsivamente cartas sobre tudo e sobre nada para criar um ponto de equilíbrio e estabilidade na sua vida desmoronada. Desbrava o caminho escrevendo e no fim, saciado, regressado à origem possível, encontra, finalmente, a paz no silêncio.

“Posso não estar bom da cabeça, mas tudo me parece claro.” (P.366)

Admito que não seja fácil gostar deste livro. Talvez o tenha lido no momento certo.


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21/10/14

Não te deixarei morrer, David Crockett

Não Te Deixarei Morrer, David CrockettNão Te Deixarei Morrer, David Crockett by Miguel Sousa Tavares
My rating: 4 of 5 stars

“Não te deixarei morrer, David Crockett” é um conjunto de crónicas de Miguel Sousa Tavares reunidas sob um denominador comum: As memórias nostálgicas do que foi e já não é mas que teimosamente insiste em sobreviver à passagem do tempo, qual tesouro sepultado em parte incerta revelado, por entre teias de aranha e pó, por um fiel guardião que cuidadosamente vela pela sua perpetuidade.
O autor arrebata-nos para junto de si num tom intimista e confessional onde não raras vezes nos dá a conhecer fatos da sua vida familiar, alguns que remontam à infância, outros à vida adulta. A suavidade da meninice. As agruras do homem feito.
E depois há os outros. Os inventados e os reais. Os mais conhecidos e os anónimos. Pessoas que marcaram a sua vida de uma ou outra forma, que cinzelaram os seus nomes no mural rascunhado das suas memórias.
Apesar de ter gostado de todas as crónicas, destaco “Os Pascoaes de Amarante”, uma crónica sobre o Clã Pascoaes que pincela as vidas dos 6 irmãos Teixeira de Vasconcelos (conhecidos como Pascoaes) nos quais está incluído o poeta Teixeira de Pascoaes. As vidas de todos tiveram como pano de fundo o Marão mas houve um, João, o caçador, que foi mandado pelo avô para Angola por “… ter assinalado a sua entrada na inevitável Faculdade de Direito de Coimbra, com uma monumental zaragata, em plena cerimónia das praxes, durante a qual agarrou numa moca e abriu a cabeça a onze estudantes.”.
E assim inicia uma vida aventurosa em África para regressar dez anos passados e viver toda uma vida a ansiar pelas planícies africanas: “O resto da vida ocupou-a a restaurar a sua casa, a cuidar das suas propriedades, a criar dois filhos, a escrever as suas memórias de África, para ver se calava as saudades. Tudo em vão: não se regressa nunca de África. Ele sempre o soubera. Apenas se enganava a si próprio, vagueando pela casa atulhada de recordações de Angola, subindo a escadaria entre dentes de marfim, lanças, máscaras, punhais, cabeças embalsamadas de feras, até se ir estender na cama do quarto para uma sesta com que fingia estar a viver a hora do calor em África, ali, no frio mineral do Marão. Um dia não acordou da sesta, já estava longe, muito longe: provavelmente é o único dos irmãos que não encontrou descanso no cemitério de Amarante. He had a life in Africa…“.
Tudo é efémero mas as memórias são eternas.


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16/10/14

Os Cães

Os CãesOs Cães by Ola Nilsson
My rating: 4 of 5 stars

Num portentoso retrato humano retirado de uma tenebrosa Suécia, Ola Nilsson apresenta-nos vidas despedaçadas aos 14 anos. Pequenas (grandes!) tragédias pessoais povoam as curtas vidas de 5 personagens adolescentes, unidas por um irremediável desprendimento pela existência. Respirar, dar um passo, tomar uma decisão, olhar o outro nos olhos é uma morte lenta, um gradual afundar em areias movediças, um afogar-se nas trevas da floresta de troncos invisíveis que juncam o rio perdido. Corpos enlutados de si próprios, à deriva num mar de olvido, náufragos de uma náusea constante pela vida. E a salvação, o adormecimento pelo álcool.

Casa é a ponte, ponto de encontro, encruzilhada onde é semeado um caixão flutuante que demarca o território da morte. A matilha agrupa-se em torno das suas fraquezas refugiada no abrasador calor do vício. E olha mas não vê. E ri-se mas os lábios não se movem. E abraça-se mas não se toca. Abandonam-se e são abandonados, os jovens enrugados. Cães. Lobos.


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14/10/14

A Troca

A TrocaA Troca by David Lodge
My rating: 4 of 5 stars

“A Troca” de David Lodge é uma divertida narrativa sobre um intercâmbio universitário de professores decorrida em 1969: O inglês Philip Swallow da Universidade de Remexe vai lecionar seis meses na Universidade de Euforia e o americano Morris Zapp da Universidade de Euforia parte durante seis meses para a Universidade de Remexe.

São seis meses em que as vidas dos dois homens se sobrepõem ante o olhar ávido do leitor que segue com entusiasmo as peripécias de Philip numa universidade americana em pé de guerra e as peripécias de Morris numa pacata e obscura universidade inglesa que começa a despertar para o mundo.

Também as vivências amorosas dos dois homens se entrelaçam com uma reveladora troca de parceiras que, se por um lado é indicadora da debilidade dos relacionamentos estabelecidos com as respectivas mulheres, por outro apimenta essas relações aparentemente esmorecidas na “cimeira” de Nova Iorque...

O livro satiriza o mundo universitário dos dois lados do Atlântico expondo um choque de culturas que, na realidade, e por fim, se revelam complementares (tal como os relacionamentos – aventa-se a hipótese de viverem numa inédita comunhão conjugal a quatro!) e David Lodge fá-lo com mestria e um humor perene (o livro foi editado em 1975) até ao plano final. A vida destes dois dava um filme.


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09/10/14

O Rapaz Perdido

O Rapaz PerdidoO Rapaz Perdido by Thomas Wolfe
My rating: 4 of 5 stars

Esta é a história contada a várias vozes de um menino exemplar, Grover, que viu a sua vida bruscamente interrompida aos 12 anos, um rapaz prematuramente perdido pela família que o recorda com emoção reconstituindo alguns momentos da sua breve existência.

Conhecemos Grover através de fragmentos dispersos compostos pelas várias vozes que o evocam e na qual está incluído o autor e irmão do rapaz perdido. Gostei sobretudo do primeiro e do último capítulo da novela: no primeiro acompanhamos as deambulações de Grover pelas lojas da cidade e assistimos a um episódio a um tempo repugnante e belo, tudo descrito numa linguagem de grande delicadeza poética ("A luz invadiu de novo o dia."); no último, acompanhamos a deambulação do autor pelos locais da sua infância com o objectivo único de encontrar a casa onde a família tinha vivido durante algum tempo e rever o quarto onde o irmão tinha morrido. O rapaz perdido tinha partido no quarto onde agora dormiam dois rapazinhos, irmãos da proprietária da casa. Nesta busca de uma identidade ofuscada pelos anos, Thomas Wolfe compreendeu:

"E, assim, tudo encontrando, soube que tudo se perdera."

Um pequeno livro muito bonito que sobressalta e angustia. A impotência humana face à estranha des(ordem) do universo.


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08/10/14

O Relatório de Brodeck

O Relatório de BrodeckO Relatório de Brodeck by Philippe Claudel
My rating: 5 of 5 stars

Doloroso. Belo. Perfeito.

Nem uma palavra sublinhada ao longo de todo o livro (não há frase que não mereça essa "honra").

É impossível olhar o mundo com os mesmos olhos depois deste livro.

É ainda com o coração alvoroçado que assumo que a culpa é toda minha. Eu é que quis (muito) ler este livro.

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02/10/14

A Ilha de Sacalina - Notas de Viagem

A Ilha de SacalinaA Ilha de Sacalina by Anton Chekhov
My rating: 4 of 5 stars

Nestas notas da viagem que Tchékhov fez à colónia penal da Ilha de Sacalina em 1890 são-nos descritas de forma pormenorizada todas as incidências da vida dos condenados e condenadas (e por vezes das famílias que os acompanham...), dos deportados, dos colonos, das populações nativas e dos funcionários da colónia penitenciária.

Trata-se de uma visão pessoal do autor resultante da constatação dos factos in loco e de uma análise baseada em relatos anteriores a respeito da ilha delineados por aventureiros, oficiais, funcionários do estado, padres e médicos que por ali passaram. Temos, assim, acesso a um documento precioso pela quantidade e relevância da informação transmitida, maravilhosamente transmitida pelo génio sensível, atento e humano de um escritor como Tchékhov.

É particularmente comovente a forma como a palavra "saudade" se difunde no relato... A saudade de quem se sabe perdido nas névoas gélidas e impenetráveis de uma ilha de pesadelo, tão próxima e tão distante da Mãe-Rússia. E é a saudade, um desespero silencioso e a vontade férrea de "sentir" a liberdade que impelem um grande número de prisioneiros a tentar a fuga:

"Uns evadem-se, esperando andar em liberdade uma semana ou um mês; outros contentam-se só com um dia. Um dia apenas, mas que seja meu!" (P. 261)

A brutalidade dos castigos corporais praticados (chicotadas) perturba o autor, afasta-o por momentos do cenário que classifica de repugnante mas, ainda assim, fá-lo regressar para impor o seu relato fidedigno ao leitor (parece sentir-se moralmente obrigado a tal...) a quem se dirige, aliás, com frequência:

"Vou para a rua, onde o silêncio é cortado pelos gritos lancinantes que vêm da sala dos guardas e que se devem ouvir, julgo eu, por toda a cidade. Um deportado à paisana passa na rua, olha de relance para a sala dos vigilantes e no seu rosto e até no seu andar transparece o medo. Entro de novo na sala, volto a sair... O inspector continua a contar." (P.255)

Sadicamente apreciados por um enfermeiro militar que insiste para assistir à aplicação do castigo, rematando no final:

"- Eu gosto de assistir a isto! - diz-me o enfermeiro militar, com um ar satisfeito, encantado por ter podido desfrutar deste repugnante espectáculo." (P.255)

Assombrou-me também a forma como as pessoas eram reduzidas a "nada", a pó, tanto em vida como depois de mortas:

"As pequenas cruzes das campas dos deportados são todas iguais e todas anónimas. (...) mas de todos esses homens que repousam sob aquelas pequenas cruzes, desses homens que mataram, que arrastaram correntes, que se evadiram, ninguém terá necessidade de se lembrar deles. Talvez, em algum lugar da estepe ou da floresta russa, junto a uma fogueira, um velho carroceiro levado pelo aborrecimento conte os crimes de um bandido da sua aldeia. Então o seu interlocutor olhará para a escuridão e sentirá um arrepio, uma ave nocturna piará, e nisso consistirá toda a recordação." (P.233)

Também a forma como as mulheres eram "comercializadas" na ilha é chocante e o autor não nos poupa à cruel realidade do seu destino, um destino ao serviço do homem, para satisfação de todas as necessidades do homem. Escravas das suas determinações. Foi com especial asco que li essas terríveis páginas...

Em resumo, uma leitura densa mas, na minha perspectiva, essencial para penetrar na(s) mentalidade(s) russa(s) daquele final de século (com grandes mudanças no horizonte) e para conhecer melhor as ideias e convicções de um homem chamado Anton Tchékhov que um dia decidiu embarcar rumo a Sacalina.


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23/09/14

Sem Sangue

Sem SangueSem Sangue by Alessandro Baricco
My rating: 3 of 5 stars

Talvez demasiado breve para a profundidade psicológica do que é narrado...

Senti sinceramente que eram necessárias mais páginas para abarcar aquele desfecho que tem tanto de absurdo como de belo.

"Então pensou que, por incompreensível que a vida seja, provavelmente a atravessamos com o único desejo de regressar ao inferno que nos gerou, e de habitar ao lado de quem, uma vez, nos salvou desse inferno. Tentou perguntar a si mesma de onde viria aquela absurda fidelidade ao horror, mas descobriu que não tinha respostas. Entendia apenas que nada é mais forte que esse instinto de voltarmos onde nos fizeram em pedaços, e de repetir esse instante ao longo dos anos. Pensando apenas que quem nos salvou uma vez o poderá fazer sempre. Num longo inferno idêntico àquele de onde vimos. Mas subitamente clemente. E sem sangue.

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19/09/14

As Dez Figuras Negras

As Dez Figuras NegrasAs Dez Figuras Negras by Agatha Christie
My rating: 4 of 5 stars

Enredo muito bem montado (não... não descobri quem era o/a responsável pelas mortes...), ambiência fantástica, notável trabalho psicológico das personagens e um desfecho que não podia ter sido melhor.

Há um começo que prenuncia, desde logo, um fim trágico:

"Havia qualquer coisa de mágico numa ilha - só a palavra sugeria fantasia. Perdia-se o contacto com o mundo - uma ilha era, só por si, um mundo. Um mundo, talvez, sem retorno." (P.28/29)


E há um fim que enuncia a tragicidade do próprio género humano:

"Mas nenhum artista, compreendo agora, pode retirar satisfação unicamente da arte. Existe um anseio natural por reconhecimento que não se pode desmentir.
Sinto, permitam-me que o confesse com toda a humildade, um lamentável desejo humano de que alguém saiba como fui inteligente..." (p. 189)

Uma leitura deliciosa, uma Agatha Christie no seu melhor!


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16/09/14

Mistérios

MistériosMistérios by Knut Hamsun
My rating: 4 of 5 stars

Um livro indispensável que apresenta ao leitor uma das mais desconcertantes personagens da história da literatura, Johan Nielsen Nagel, um excêntrico que desembarca numa pequena cidade norueguesa sem uma intenção pré-definida acabando por expor o seu carácter inconstante, inventivo e auto-destrutivo ao mesmo tempo que "descarna" os mistérios que povoam a cidade e que assombram os seus habitantes...

Bem, e que dizer de Grogaard, o Anão? E da mulher alta e esguia com o crucifixo de pedras verdes? Mistérios, verdadeiramente...

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11/09/14

Norwegian Wood

Norwegian WoodNorwegian Wood by Haruki Murakami
My rating: 4 of 5 stars

A vida é um sopro.

Ora gélido e invernoso,
Ora cálido e primaveril.

Os epitáfios dos adolescentes
Rezam uma idade eterna,
A banda sonora dos que ficam
Empurra-os para um denso bosque coberto de neve
Onde a dor é suportada na primavera da vida.

Toru Watanabe deixa-se consecutivamente atrair por triângulos amorosos onde não há intriga nem disputa, apenas a partilha de uma mesma voz. Mas quando se torna no protagonista da sua vida, a sua lucidez estremece e não consegue encontrar o seu lugar no seu mundo. O mundo exterior por sua vez é muitas vezes encarado como acessório mas Watanabe vai-se encontrando em coisas tão pequenas mas tão carregadas de significado como a partilha de uma refeição com um homem moribundo. Toru quer sobretudo reconhecer-se na feérica Naoko, a sombra que paira sobre o bosque cerrado do seu inverno, ou na extravagante Midori, o raio de sol que penetra a densidade do bosque com a sua força imparável e primaveril.
Toru vai crescendo no conhecimento da dor da incerteza e da dor do que é a realidade da vida.
Assistimos à metamorfose de Toru, à sua passagem ao estado adulto e responsabilidades inerentes (e que responsabilidades ele assume!) e à sua libertação (?).
Somos donos do nosso destino mas às vezes é assustador pensar como a densidade dos bosques que encontramos pelo caminho obscurece e condiciona o nosso rumo…



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O Seminarista

O SeminaristaO Seminarista by Rubem Fonseca
My rating: 4 of 5 stars

Uma lufada de ar fresco...

Apesar do personagem central de "O Seminarista" ser um assassino profissional e por vezes sermos confrontados com descrições de crimes que nada têm de refrescante, a verdade é que a escrita de Rubem Fonseca marca pela simplicidade realista que roça a genialidade... A "trama" é bem urdida e o humor é espontâneo e inteligente.

É sempre bom constatar que a língua portuguesa nunca deixará de ser reinventada enquanto existirem autores como Rubem Fonseca.

"É isso: quando a aurora se apresenta de bianco vestita ela fica muito bonita na música de Leoncavallo e na voz de Caruso, mas na vida real fica insuportável. Ao contrário, o pôr do sol vai ganhando beleza continuamente, como no poema de Keats 'a thing of beauty is a joy forever, its loveliness increases', como aquela beleza que eu estava contemplando, o pôr do sol, que nunca agride, a menos que considere uma forma de agressão a melancolia que invade você na hora em que o crepúsculo se instala no mundo antecedendo a noite." (P.70)

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O Mundo Invisível

O Mundo InvisívelO Mundo Invisível by Katherine Webb
My rating: 4 of 5 stars

Um livro surpreendente. Comprei-o apenas com base numa sinopse que me pareceu interessante e ainda bem que arrisquei!

A prosa de Katherine Webb é simples mas poderosa, não raro deparando-nos com alguns momentos de grande beleza poética que me agradaram particularmente. Para além da escrita equilibrada e cativante, Katherine Webb presenteia o leitor com uma história bem engendrada e desenvolvida a um ritmo acertado, plena de personagens convincentes e sedutoras(A Cat Negra, a Cat Negra...) que nos enredam nas suas vidas, paixões e segredos.

Altamente recomendável.

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08/08/14

A Porta

A PortaA Porta by Magda Szabó
My rating: 4 of 5 stars

É difícil fechar um livro que nos abriu tantas portas, é difícil opinar sobre uma das mais singulares heroínas literárias que já tive oportunidade de conhecer, é difícil afirmar que testemunhei o descerramento do coração de Emerence e dos seus singelos segredos… Nada é fácil quando nos propomos comentar um livro excepcional onde tudo aquilo que nos é mais querido, é narrado de forma tão grandiosa e bela. Siderou-me a eloquência, a dignidade, o orgulho de uma mulher que mal sabia ler e escrever, abalou-me a superioridade desta mulher ante o saber livresco, atordoou-me a sua dedicação ao duro trabalho físico, extasiou-me o seu desprezo pela política e pela religião, comoveu-me a sua infinita generosidade que se estendia a pessoas e animais.
As 4 estrelas que aqui atribuo são um simples apontamento, necessário, mas sem vital importância porque o que fica, o que permanece desta leitura de “A Porta” é a obstinação de uma mulher idosa e semianalfabeta em ser ela própria, sem falsos pudores, em preservar a sua intimidade, os seus “hóspedes”, a sua vida noutra época, noutro local, em se salvar e salvar os outros da sua tragédia pessoal. A patroa, escritora, é guiada numa viagem ao centro do mundo de Emerence, uma viagem que mais ninguém empreendera porque sempre encontraram portas fechadas a cadeado… O coração de Emerence é a porta para um mundo onde cada um dita as regras da sua própria vida, onde a nossa identidade é moldada por nós próprios (pelas nossas alegrias e sofrimentos), onde a pureza é uma realidade e onde a Ternura, a Amizade, o Amor são os alicerces da alma e do corpo, esculpidos no horror de um dia de tempestade.


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04/08/14

Alexander the Great - The Macedonian Who Conquered the World

Alexander the Great - The Macedonian Who Conquered the WorldAlexander the Great - The Macedonian Who Conquered the World by Sean Patrick
My rating: 3 of 5 stars

Através da leitura deste livro tive a oportunidade de recordar aspectos da biografia bélica de um dos maiores génios militares da história, Alexandre o Grande; contudo, e ao contrário do que estava à espera, este não é um livro sobre Alexandre o Grande, mas uma obra sobre o poder do ímpeto nas conquistas dos génios e como pode ser determinante na vida de qualquer pessoa. Alexandre funciona assim como um mero exemplo para demonstrar como o ímpeto é fundamental para se alcançar objectivos em maior ou menor escala. O título induziu-me em erro mas foi uma leitura satisfatória.

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01/08/14

Luís XIV e o Amor - As Mulheres na Vida do Rei-Sol

Luís XIV e o Amor - As Mulheres na Vida do Rei-SolLuís XIV e o Amor - As Mulheres na Vida do Rei-Sol by Antonia Fraser
My rating: 3 of 5 stars

Um livro interessante que nos permite entrever a personalidade de Luís XIV e a influência que as mulheres que o rodeavam tiveram na sua vida. Sendo o retrato de uma época em que as mulheres eram meros objectos de prazer ou moedas de troca entre nações, vislumbramos ainda assim assinaláveis indícios da férrea vontade e determinação de algumas destas mulheres em contrariar o inevitável destino a que estavam votadas... Exemplo disso mesmo é a "mulher secreta" do Rei-Sol, Madame de Maintenon, que se submete quase exclusivamente ao que considera ser a "vontade de Deus" na "reconversão" do Rei.

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10/07/14

A Mulher Adormecida de Nápoles

A Mulher Adormecida de NápolesA Mulher Adormecida de Nápoles by Adrien Goetz
My rating: 2 of 5 stars

Este livro revelou-se uma mera curiosidade em que sobressaem uma escrita sem vitalidade e uma história sem verve... Foi interessante rever e em alguns casos conhecer aspetos da arte produzida por pintores franceses do século XIX, nomeadamente Ingres, Corot e Géricault. De resto, simplesmente mediano.

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